Tigre d’água Brasileiro

Quelônios do Gênero Trachemys dorbignyi

1. Quelônios: Introdução

Criar tartarugas em nossa casa é algo fascinante que em muitos casos nos inicia no aquarismo, mas por falta de informação, às vezes nossos quelônios passam por privações que diminuem sua qualidade de vida e sua longevidade. Com a intenção de trazer um pouco de informação sobre estes seres segue um artigo com informações básicas sobre o quelônio tigre d’água brasileiro (trachemys dorbignyi).

Primeiramente precisamos saber que a comercialização clandestina destes quelônios é proibida por lei, pois este tipo de conduta trás desequilibro ao meio ambiente por meio da introdução de espécies não nativas em nossa fauna prejudicando assim as espécies nativas. Antes de adquirir sua tartaruga exija do comerciante a nota fiscal e o certificado de origem do animal.

Legislação

A Pessoa física que tencione comprar animais da fauna silvestre brasileira, de criadouro comercial ou comerciante registrado no IBAMA, com objetivo de mantê-los como animais de estimação, não necessitará de registro junto ao IBAMA, conforme previsto no art. 13 da Portaria n°.:117/97.

· A manutenção em cativeiro deste animal somente terá reconhecimento legal se o proprietário possuir Nota Fiscal de compra e Certificado de Origem, conforme legislação vigente.
· A transferência de posse deverá ser realizada na forma da lei vigente no país. A nota fiscal e o certificado de origem deverão acompanhar o espécime.
· Fica sob a responsabilidade do detentor do animal silvestre, ressarcir os danos causados por estes animais a terceiros, ao patrimônio público ou particular, conforme previsto no código civil brasileiro.
· Está expressamente proibida a soltura ou introdução dos animais silvestres na natureza, estando o infrator sujeito às penalidades previstas nas leis n° 6.938/81 e n° 9.605/98.

A venda clandestina e indiscriminada da espécie Trachemys scripta elegans (tigre d’água americano ou tartaruga de ouvido vermelho), como animal de estimação no Brasil, trás uma grande quantidade de problemas para as espécies nativas, principalmente para o Tigre d’água brasileiro, por serem muito parecidas entre si, sendo está atividade expressamente proibida.

2. Tigre d’água Brasileiro e Tigre d’água Americano (diferenças morfológicas)

Trachemys dorbignyi (Tigre d ’água Brasileiro)

Trachemys dorbignyi (Tigre d ’água Brasileiro)

Trachemys dorbignyi (Tigre d ’água Brasileiro)

Trachemys dorbignyi (Tigre d ’água Brasileiro)

Trachemys dorbignyi (Tigre d’água Brasileiro) adulto

Trachemys dorbignyi (Tigre d’água Brasileiro) adulto

Trachemys scripta elegans (Tigre d’água Americano) adulto

Trachemys scripta elegans (Tigre d’água Americano) adulto

Os desenhos da carapaça inferior são bem distintos:

Trachemys dorbignyi (tigre d’água nacional) LEGALIZADA

Trachemys dorbignyi (tigre d’água nacional) LEGALIZADA

Trachemys scripta elegans (Tigre d’água importada) ILEGAL

Trachemys scripta elegans (Tigre d’água importada)
ILEGAL

A carapaça superior tem as cores mais vibrantes na espécie brasileira. A americana possui manchas.

Vermelhas atrás dos olhos o que caracteriza seu apelido:

Trachemys dorbignyi (Tigre d’água nacional) LEGALIZADA

Trachemys dorbignyi (Tigre d’água nacional) LEGALIZADA

Trachemys scripta elegans (Tigre d’água importada) ILEGAL

Trachemys scripta elegans (Tigre d’água importada) ILEGAL

Tigre d’água Brasileiro adulto, com 25 cm

Tigre d’água Brasileiro adulto, com 25 cm

3. O gênero tigre d’água brasileiro (trachemys dorbignyi)

Ordem: Testudines
Família: Emydidae
Nome popular: Tigre d’água
Nome científico: trachemys dorbignyi
Onde é encontrado: Rio Grande do Sul (no rio Guaíba, que habita principalmente a região da Lagoa dos Patos e o Banhado do Taim), Uruguai e nordeste da Argentina.
Onde vive: Pântanos, banhados, lagos, riachos e rios.
Hábitos alimentares: Onívoro
Reprodução: Desova entre 1 e 20 ovos por postura, que eclodem após 60 a 120 dia da incubação
Período de vida: aproximadamente 30 anos

Essa tartaruga aquática recebe o nome devido ao seu colorido que inclui listras amareladas e alaranjadas. O filhote sai do ovo com cerca de 3 cm e quando adulto pode alcançar entre 22 cm (macho) e 26 cm (fêmea).

4. Características gerais dos quelônios

As características gerais dos quelônios são: corpo grande, encaixado em uma “concha” firme de carapaça dorsal (arredondada) e outra ventral (plana, chamada plastão), unidas pelos lados e cobertas por placas poligonais ou pele coriácea ; não possui de dentes, as vértebras torácicas e as costelas geralmente são fundidas com a carapaça. São ovíparos (os ovos são postos pelas fêmeas em covas que elas escavam e depois cobrem), habitam em água doce, salgada ou na terra. O crânio dos quelônios também é diferente quando comparado com os outros répteis. É do tipo Anapsida, ou seja, o teto é sólido sem orifícios atrás dos olhos. Os maxilares são semelhantes a bicos e são revestidos por uma lâmina córnea que funciona como uma guilhotina quando o animal fecha a boca.

Os quelônios não possuem orifício auditivo e o tímpano é externo, desprotegido e bem desenvolvido.

Sua aparente fragilidade é um dos fatores que contribuem para o rápido recolhimento da cabeça ao menor sinal de perigo.

Os quelônios que vivem na água apresentam um mecanismo adicional de respiração, além da respiração pulmonar.

Possuem sacos vasculares de paredes finas que propiciam a captação de oxigênio da água como se fossem brânquias.

O volume de oxigênio retirado é pequeno e funciona como um suplemento de ar quando o animal permanece muito tempo submerso.

O ar dos pulmões é liberado aos poucos, permitindo assim que certas espécies de tartarugas e cágados fiquem muitos minutos submersos.

Os pulmões estão na região dorsal, e acompanham a curvatura da carapaça.

A posição das narinas varia de acordo com o hábito.

Nas espécies aquáticas as narinas ficam bem na frente da cabeça.

5. Dimorfismo Sexual

Os machos possuem órgão copolador chamado hemipênis, que está localizado dentro da cauda e fica aparente somente durante o acasalamento, quando é introduzido na cloaca da fêmea.

Um modo popular muito usado e incorreto é à maneira como se identifica o sexo pelo formato da carapaça inferior (plastrão).

A verdade é que apenas as espécies terrestres, e depois de alguns anos de vida, é que apresentam diferenças entre os machos e as fêmeas.

Em sua grande maioria o dimorfismo sexual não é identificado pela carapaça inferior.

Em tartarugas aquáticas o acasalamento ocorre na água e os machos possuem uma ligeira concavidade, que muitas vezes não é percebida pelos criadores.

No Tigre d’água brasileiro os machos adquirem uma cor escura conforme chegam à maturidade sexual e as fêmeas continuam esverdeadas.

Nas tartarugas-de-ouvido-vermelho, os machos apresentam as unhas das patas dianteiras bem maiores do que a das fêmeas e as utilizam durante os preparativos do acasalamento nadando de frente para fêmea, estimulam a parceira roçando as pontas de suas unhas em seu focinho.

tartarugas_ouvido_vermelho

O sexo das tartarugas é determinado pela temperatura da areia durante a incubação.

Temperaturas mais altas que a media determinam o nascimento de fêmeas enquanto as temperaturas mais baixas determinam o nascimento de machos.

6. Alimentação

Este quelônio é onívoro (os alimentos são constituídos de proteína animal e fibras vegetais).

A alimentação é um dos grandes fatores do fracasso na criação de tartarugas.

A falta de sol, que é vital para síntese do cálcio, e a carência de vitaminas geram descalcificação no casco, alteração no seu formato e alguns problemas nos olhos, como edema de pálpebra.

Este animal se alimenta na água, onde se deve alimentá-los, pois raramente este animal come fora da água. O Tigre d’água brasileiro se alimenta na natureza de pequenos peixes, camarões, etc. Em cativeiro deve ser oferecido ração específica para tartarugas aquáticas, pois contêm os nutrientes necessários.

Também podem ser oferecidos vegetais e frutas, mas com exceção de alface e mamão (existem relatos que estes alimentos provocam diarréia).

O ideal é oferecer alimento três vezes ao dia, em porções pequenas, observando o consumo para evitar sobras e na água.

Durante os períodos quentes do ano estes animais tem um grande apetite, para adquirirem gordura, pois no inverno quando as temperaturas caem e comum as tartarugas “hibernarem” durante bastante tempo, porque o frio diminui o seu metabolismo.

7. Manutenção

Mantenha sua tartaruga em um terrário ou outro recipiente adequado, com água sempre limpa, com uma de rampa e local para os animais tomarem sol. Evite colocar objetos pontiagudos, pois os animais podem se machucar e ocorrer contaminações por fungos ou bactérias. A temperatura da água deve estar entre 25° e 28°C.

Quando colocar sua tartaruga no sol, deixe um local com sombra, pois o calor em excesso pode causar a morte do animal, assim como o frio intenso. Como em todas as espécies de tartarugas, a temperatura do corpo do Tigre d’água brasileiro varia conforme a temperatura ambiente.

Colocar tartarugas em aquários comunitário e desaconselhável, pois o instinto predador da tartaruga certamente vai levá-la a atacar os peixes, mesmo os maiores (ataca quando eles estão dormindo).
No período do ano em que a atividade é mais intensa as tartarugas defecam (fazem muito cocô) aumentando assim carga orgânica do aquário o que significa mais amônia, diminuindo muito a qualidade da água.

8. Doenças

Traumas de carapaça superior e inferior

Um dos maiores problemas encontrado nas tartarugas de estimação é a quebra da carapaça inferior e superior.

As causas variam desde mordidas de outros animais como cães, gatos e animais selvagens até atropelamentos por carros, motos e bicicletas, quedas durante a manutenção, etc.

Dependendo da gravidade do trauma, é necessário encaminhar o animal a um veterinário, pois podem ter sido atingidos tecidos interno que se não tratados de maneira correta, às vezes até cirúrgica, o animal pode vir a morrer em pouco tempo. Em alguns casos é necessário tratamento medicamentoso, como cicatrizantes, antibióticos, pomadas, que é prescrito pelo veterinário.

Portanto, na maioria dos casos, infelizmente é necessário à intervenção de um veterinário com experiência em que quelônios.

Edema de pálpebra

Essa doença ataca as tartarugas devido à falta de sol e a falta de vitamina D e cálcio. Uma alternativa é moer até virar pó à casca de ovo e misturá-la a carne moída para suplementar o cálcio.

Já a vitamina D pode ser suplementada misturando-se a carne moída óleo de fígado de bacalhau, mas atenção à quantidade, este óleo deteriora a qualidade da água devendo ser dosado apenas ao consumo imediato. Deve-se realizar este procedimento uma vez ao mês.

9. Considerações finais

Gostaria de afirmar que a intenção destas informações é para orientação e não devem ser tomadas como único meio de informação, não me responsabilizando assim por problemas que venham a ocorrer. Acredito que o bom senso dos hobbystas sempre deve prevalecer na hora de decidir sobre o que melhor para os animais que estão sobre sua responsabilidade.

Seguindo algumas orientações simples as nossas tartarugas terão uma vida mais feliz e longa.

Devido à comercialização clandestina e sem os esclarecimentos necessários a pessoa que está comprando, em muitos casos, os proprietários destes animais perdem o interesse em mantê-los devido ao seu crescimento, e acabam por libertá-los em rios, represas, lagos ou parques causando os problemas já citados.
A forma correta seria o encaminhamento destes animais ao Ibama ou à Polícia Florestal.
As pessoas que optarem por entregar suas tartarugas poderão fazê-lo sem qualquer tipo de pergunta, sanção ou represália por parte dos órgãos acima citados. Esse direito é garantido por lei.

Adilson Cesar

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